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Por mais simples que pareça, uma decisão tomada dentro de um órgão público costuma envolver recursos, contratos, serviços e, principalmente, impacto direto na vida da população. Por isso, além de cumprir regras, é preciso criar processos que ajudem a prevenir riscos, orientar decisões e garantir que a atuação da instituição esteja alinhada ao interesse da sociedade. É nesse contexto que o compliance no setor público passa a ter um papel tão importante.
Mais do que verificar o cumprimento de regras, a estrutura de compliance contribui para identificar riscos, estabelecer controles, orientar condutas e dar maior transparência aos processos e decisões.
Também por isso, compliance está diretamente relacionado à governança e gestão de riscos. Juntos, esses três pilares ajudam a organização a enxergar riscos de forma mais ampla e tomar decisões com mais segurança. Essa abordagem também pode ser aplicada à administração pública, desde que considere suas características, responsabilidades e objetivos específicos.
Continue a leitura para entender o que é compliance no setor público, quais são seus principais desafios, como frameworks de GRC podem ser utilizados e quais caminhos seguir para construir uma carreira na área.
Conformidade regulatória. Corpo docente reconhecido. E a autoridade FDC.
Compliance pode ser entendido como o conjunto de políticas, processos, controles e práticas dedicados a promover a conformidade de uma organização com leis, regulamentos, normas, políticas internas e princípios éticos.
No setor público, esse conceito recebe uma diferença importante: a atuação institucional deve estar alinhada ao interesse público, aos princípios que orientam a Administração Pública, à responsabilidade pela utilização de recursos e pela entrega de serviços à sociedade.
Por isso, o compliance público está diretamente relacionado à integridade. Afinal, seu objetivo é criar mecanismos para prevenir, identificar e responder a situações que possam comprometer a legalidade, a ética, a eficiência e a confiança nas instituições.
A Controladoria-Geral da União (CGU) trata a integridade pública como um componente da boa governança e destaca a necessidade de aprimorar continuamente as ações que promovem ambientes mais transparentes, éticos e íntegros.
Entre as práticas que podem integrar uma estrutura de compliance no setor público estão:
No âmbito federal, a estrutura de integridade também é apoiada por normas específicas. Por exemplo: o Decreto nº 11.529/2023 instituiu o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal (Sitai).
Entenda como agir diante de crises organizacionais, fortalecer a comunicação interna e tomar decisões mais estratégicas em momentos de alta pressão.
Baixe o e-book →Compliance público e compliance privado compartilham alguns princípios como integridade, prevenção de riscos, controles e conformidade. Mas também há diferenças, principalmente no contexto em que esses mecanismos são aplicados e nos objetivos que orientam a organização.
No setor privado, o compliance está relacionado, entre outros fatores, ao cumprimento de obrigações legais e regulatórias, à gestão de riscos, à continuidade dos negócios e à proteção da reputação da empresa.
Também no setor público, esses elementos são relevantes. No entanto, eles precisam estar associados ao interesse público, à utilização responsável dos recursos, à prestação de contas e à qualidade das políticas e serviços entregues à sociedade.
Por isso, temas como transparência, impessoalidade, ética, controle social e prevenção de conflitos de interesses se tornam especialmente importantes. Assim, a estrutura também precisa considerar as características de cada órgão ou entidade, incluindo sua legislação aplicável, processos, responsabilidades e relação com cidadãos, fornecedores e demais partes interessadas.
Criar um código de conduta é relativamente simples. Porém, é importante levar em conta que implementar uma estrutura de compliance público exige orientar decisões reais. Desse modo, entender os riscos da organização e estabelecer mecanismos que funcionem na prática é essencial.
Diante disso, entre os principais desafios estão:
A transparência no setor público é essencial para permitir o acompanhamento das decisões, dos processos e da utilização dos recursos públicos. Por isso, além de disponibilizar informações, também é importante que os processos sejam adequadamente registrados, que as responsabilidades estejam definidas e que existam mecanismos para explicar como e por que determinadas decisões foram tomadas.
Assim, a transparência também fortalece a prestação de contas e pode aumentar a capacidade de participação e controle social.
A administração pública está sujeita ao acompanhamento de cidadãos, órgãos de controle, imprensa e outras instituições. Nesse cenário, mecanismos de integridade devem favorecer a rastreabilidade das decisões e a capacidade de responder a questionamentos, auditorias e eventuais irregularidades. A participação da sociedade também aparece entre as prioridades atuais da política federal de integridade, que inclui transparência, governo aberto e fortalecimento do controle social.
Outro desafio é evitar que compliance seja associado apenas ao aumento de documentos, aprovações e etapas. Controles precisam ser proporcionais aos riscos e integrados aos processos existentes. Quando responsabilidades, regras e fluxos estão claramente definidos em um programa de compliance, a organização pode reduzir inconsistências, retrabalho e dificuldades na tomada de decisão.
Compliance também depende de cultura organizacional. Políticas e códigos de conduta têm pouco efeito quando não são acompanhados de liderança, capacitação, monitoramento e mecanismos de responsabilização. A gestão de riscos de integridade ajuda a identificar situações que podem comprometer objetivos institucionais e permite direcionar controles para os pontos mais relevantes.
Modelos e referências de governança, riscos e compliance podem apoiar organizações públicas, desde que sua aplicação considere a legislação e as características de cada órgão ou entidade.
Por exemplo: uma visão integrada de GRC, ou governança, riscos e compliance, ajuda a compreender como diferentes mecanismos se relacionam e contribuem para a tomada de decisão.
O COSO oferece referências para estruturação de controles internos e gestão de riscos. Seus conceitos podem contribuir para organizar processos, responsabilidades e mecanismos de controle em organizações públicas.
O Modelo das Três Linhas do IIA ajuda a distribuir responsabilidades relacionadas à gestão de riscos, controles, suporte e monitoramento, e auditoria interna.
Para além do setor privado, esse modelo também possui aplicação no setor público. O próprio Institute of Internal Auditors (IIA), em colaboração com a INTOSAI, publicou orientações específicas sobre sua aplicação nesse contexto.
As normas ISO também podem servir como referências para diferentes áreas da gestão. Entre elas estão: ISO 37000, relacionada à governança das organizações; ISO 31000, voltada à gestão de riscos; ISO 37301, sobre sistemas de gestão de compliance; ISO 37001, relacionada a sistemas de gestão antissuborno.
A ISO 37301, especificamente, pode ser aplicada a organizações de diferentes setores e, inclusive, ao setor público. A escolha e adaptação desses referenciais deve considerar os objetivos, riscos, responsabilidades e normas aplicáveis a cada organização.
Entenda como as normas ISO fortalecem a governança, compliance, a segurança da informação e a gestão de riscos.
Baixe o infográfico →Basicamente, o profissional de compliance precisa olhar para além da norma. É preciso entender como os processos funcionam, onde estão os riscos e como as decisões são tomadas. Assim, quem deseja atuar com compliance público pode encontrar oportunidades em atividades relacionadas a:
O trabalho envolve desde o mapeamento de processos e identificação de riscos até a definição de controles, acompanhamento de indicadores, análise de ocorrências e apoio à tomada de decisão.
Por isso, a formação profissional precisa ir além do conhecimento isolado sobre estruturas de governança, integridade, riscos e controles. Afinal, é importante desenvolver uma visão integrada, capacidade analítica e compreensão sobre como pessoas, processos, riscos, controles e decisões se relacionam.
Por exemplo: o auditor de compliance pode atuar na avaliação da efetividade de mecanismos e controles relacionados à conformidade. Por sua vez, profissionais de governança e gestão de riscos podem contribuir para estruturar e acompanhar esses mecanismos, enquanto especialistas jurídicos apoiam a interpretação das normas e a análise de riscos legais.
Para atuar de maneira estratégica com compliance no setor público, uma formação multidisciplinar pode ampliar o repertório necessário para compreender as conexões entre governança, gestão de riscos e compliance. Afinal, uma especialização em GRC permite desenvolver uma visão integrada desses temas e compreender como diferentes mecanismos podem apoiar decisões mais consistentes e a gestão de riscos organizacionais.
A pós-graduação em Governança Corporativa, Gestão de Riscos e Compliance da FDC Pós Online é uma alternativa para profissionais que desejam aprofundar conhecimentos nessas áreas e ampliar sua visão estratégica.
Compliance no setor público é o conjunto de políticas, processos e controles que promove a conformidade das instituições com leis, regulamentos, normas e princípios éticos. Sua atuação envolve prevenir, identificar e responder a irregularidades, considerando o interesse público, a utilização responsável dos recursos e a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
Ambos envolvem conformidade, integridade e prevenção de riscos. No setor público, esses mecanismos devem considerar as responsabilidades da Administração Pública, como transparência, impessoalidade, prestação de contas e atendimento ao interesse coletivo. No setor privado, também contribuem para a continuidade dos negócios e a proteção da reputação da empresa.
A implementação envolve o comprometimento da alta administração, o mapeamento de processos e a identificação dos riscos de integridade. A partir dessa análise, a instituição pode definir responsabilidades, estabelecer controles, orientar condutas e capacitar os agentes públicos. Canais de denúncia, monitoramento e avaliação periódica ajudam a acompanhar a efetividade das medidas.
Os principais desafios incluem transformar políticas em práticas, fortalecer a cultura de integridade e garantir transparência e prestação de contas. Também é necessário criar controles proporcionais aos riscos, evitando procedimentos excessivos. Para isso, a instituição precisa integrar os mecanismos de compliance à rotina e acompanhar sua aplicação.
A gestão de riscos ajuda a identificar situações que podem comprometer a legalidade, a ética e os objetivos institucionais. Essa análise permite priorizar medidas preventivas e direcionar controles para os processos mais vulneráveis. O acompanhamento dos riscos também orienta ajustes quando surgem novas ameaças ou mudanças na organização.
A transparência permite que a sociedade acompanhe decisões e a utilização dos recursos públicos. O compliance contribui para organizar registros, definir responsabilidades e estabelecer mecanismos de prestação de contas. Essas práticas apoiam o controle social, pois facilitam a compreensão dos processos e o questionamento de possíveis irregularidades.
Conhecimentos sobre Administração Pública, integridade, governança, gestão de riscos e controles internos são relevantes para a atuação. O profissional também precisa compreender processos, analisar informações e comunicar orientações a diferentes áreas. Uma formação em governança, riscos e compliance pode ajudar a integrar esses conhecimentos e aplicá-los aos desafios institucionais.
Por Olivia Baldissera
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