O que é GRC (Governança, Risco e Compliance)?

Bruna Hartmann • 7 de outubro de 2025

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    GRC é a sigla para Governança, Risco e Compliance: uma abordagem que integra essas três frentes para proteger a empresa e fortalecer a tomada de decisão. A gestão de riscos corporativos ganhou urgência recente, já que as organizações precisam equilibrar a criação de valor com o cumprimento de normas que mudam com frequência.


    Segundo a McKinsey, a maioria das empresas globais ainda tem espaço para evoluir em governança, risco e compliance. O levantamento Global GRC Benchmarking Survey 2025, que ouviu 193 líderes corporativos, aponta lacunas de maturidade recorrentes, sobretudo em sistemas de tecnologia dedicados a GRC e em processos de governança bem documentados.

    

    Entender o que é GRC e estruturar essa função corretamente, hoje, faz parte da agenda estratégica de quem lidera decisões de negócio, inclusive fora das áreas de controle.

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    O que é compliance?


    O compliance é o conjunto de práticas, políticas e controles que garantem que uma empresa cumpra leis, normas, regulamentos e diretrizes internas. A área também previne irregularidades, promove condutas éticas e reduz riscos legais e financeiros.


    O compliance fortalece, ainda, a transparência dos processos e a confiança de clientes, parceiros e investidores. Por isso, é uma das frentes que sustentam uma gestão corporativa mais segura e responsável.


    Quando o compliance se conecta à governança e à gestão de riscos, as três áreas passam a atuar de forma integrada. Dessa conexão nasce o GRC.


    Como governança, risco e compliance se conectam no GRC?


    O GRC combina os três conceitos para dar à empresa uma visão mais estratégica de gestão:


    1.  Governança: define princípios, responsabilidades e diretrizes para orientar decisões e alcançar objetivos.


    2.  Gestão de riscos: identifica, avalia e trata riscos financeiros, jurídicos, operacionais e de segurança, reduzindo impactos.


    3.  Compliance: garante o cumprimento de leis, normas, regulamentos e diretrizes internas.


    A OCEG, organização responsável por consolidar o conceito no GRC Capability Model, referência global construída a partir do estudo de mais de 500 organizações, descreve o GRC como o conjunto integrado de capacidades que permite a uma empresa alcançar seus objetivos de forma confiável, lidar com incertezas de maneira apropriada e agir com integridade.


    Frameworks mais específicos ajudam a colocar essa integração em prática. O COSO ERM, por exemplo, é uma referência para estruturar a gestão de riscos corporativos dentro dessa visão mais ampla de GRC, e pode ser combinado com o GRC Capability Model conforme a necessidade de cada organização.


    Quais os tipos de GRC? A evolução de GRC 1.0 a GRC 7.0


    O conceito de GRC passou por sete gerações sucessivas desde que foi formalizado, em 2002, pelo pesquisador Michael Rasmussen, hoje à frente da GRC 20/20 Research. Cada geração reflete uma mudança no ambiente regulatório, tecnológico ou de gestão das empresas.


    GRC 1.0


    Para entender a origem do conceito, vale voltar a 2002, quando Michael Rasmussen o estruturou pela primeira vez. Entre 2002 e 2007, a GRC 1.0 teve foco na conformidade com a lei americana Sarbanes-Oxley (SOX), criada para fortalecer a governança corporativa e combater fraudes financeiras após os escândalos contábeis do início dos anos 2000. Essa fase estabeleceu boa parte das bases regulatórias que ainda orientam a prática de compliance nas grandes empresas.


    GRC 2.0


    Entre 2007 e 2012, a GRC 2.0 ampliou essa abordagem inicial e passou a integrar governança, riscos e compliance à gestão empresarial como um todo. Com o avanço da tecnologia corporativa, as empresas começaram a conectar informações e sistemas para acompanhar riscos, políticas e requisitos regulatórios de forma mais integrada, em vez de tratar cada frente de forma isolada.


    GRC 3.0


    Na sequência, entre 2012 e 2017, a GRC 3.0 passou a priorizar a integração entre diferentes sistemas corporativos. Essa arquitetura permitiu compartilhar informações entre áreas, muitas vezes apoiada por normas ISO voltadas à governança, ao risco e ao compliance, e criar uma estrutura mais conectada para apoiar a gestão. Comitês de auditoria passaram a exigir relatórios integrados entre essas frentes, em vez de relatórios separados por departamento.


    GRC 4.0


    De 2017 a 2021, a GRC 4.0 trouxe mais agilidade e flexibilidade para a prática. A abordagem Agile GRC permitiu adaptar processos, controles e ferramentas às necessidades específicas de cada organização, acompanhando mudanças regulatórias com mais rapidez do que os modelos anteriores permitiam. Esse período também coincidiu com a popularização de metodologias ágeis em outras áreas da gestão empresarial, o que facilitou a adoção do conceito.


    GRC 5.0


    A partir de 2021, a GRC 5.0 incorporou recursos cognitivos e maior automação para acelerar análises, identificar padrões e apoiar decisões. Nesse período, estruturar o que é GRC passou a envolver também o uso estratégico de dados e de inteligência artificial para responder com mais rapidez a riscos e a mudanças regulatórias, reduzindo o tempo entre a identificação de um problema e a resposta da empresa.


    GRC 6.0


    Como evolução seguinte, Michael Rasmussen propôs a Business Integrated GRC, ou GRC 6.0. A proposta amplia a integração do GRC aos próprios sistemas e processos corporativos, embutindo controles diretamente nas aplicações que a empresa já usa no dia a dia, em vez de tratá-los como uma camada separada de verificação. O objetivo é fortalecer a capacidade de adaptação e resiliência da organização diante de diferentes cenários.


    GRC 7.0


    Em 2025, Rasmussen deu início à discussão sobre a GRC Orchestrate, ou GRC 7.0. A proposta amplia a conversa para o uso de digital twins e de inteligência artificial agêntica na orquestração de risco, integridade e objetivos organizacionais. Ainda é uma fronteira em construção, mas já sinaliza para onde a disciplina de GRC caminha nos próximos anos: mais automação, mais simulação de cenários e menos verificação manual.


    Quais os benefícios do GRC na gestão de riscos corporativos?


    Uma abordagem estruturada de GRC ajuda a integrar processos, responsabilidades e informações para identificar riscos com mais eficiência, apoiar decisões e fortalecer os controles internos. Ainda assim, a maturidade nesse campo permanece um desafio para a maioria das empresas, segundo o Global GRC Benchmarking Survey 2025, da McKinsey.


    A pesquisa ouviu 193 líderes corporativos sobre como estruturam governança, gerenciam risco e cumprem regulamentações. Mesmo entre empresas que já têm um framework de governança formalizado, as lacunas são concretas: 48% não têm procedimentos formais de governança corporativa documentados, e mais da metade não mantém inventário de resoluções do conselho.


    Por que estruturar uma função de GRC?


    A maturidade em GRC depende não só de processos bem desenhados, mas também de responsabilidades claras, recursos adequados, participação da liderança e uso estratégico da tecnologia. Empresas mais maduras nesse campo costumam ter um mandato bem definido para a área e maior envolvimento da liderança na supervisão de riscos e compliance.


    Uma equipe, um comitê ou profissionais responsáveis pelo tema ajudam a distribuir essas atribuições e evitam que o acompanhamento se concentre em uma única pessoa. O Modelo das Três Linhas do IIA é uma referência para organizar essa distribuição entre gestão operacional, funções de risco e compliance, e auditoria interna.


    Essa estrutura também favorece uma visão integrada da cultura de riscos, o que permite compartilhar informações e avaliar impactos em diferentes áreas do negócio.

    Quem atua como advogado de compliance, gestor de riscos ou em outras posições dessa frente encontra, nesse tipo de estrutura, um caminho mais claro para crescer na carreira em GRC, com mais visibilidade dentro da empresa.


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    Tecnologia como aliada da gestão de riscos


    A tecnologia é outro componente central dessa evolução. A mesma pesquisa da McKinsey mostra que boa parte das empresas ainda precisa desenvolver os sistemas de TI que dão suporte às atividades de GRC, e que muitas ainda não estabeleceram ferramentas adequadas para isso.


    A adoção de ferramentas certas pode centralizar informações, organizar documentos, acompanhar controles, automatizar tarefas e facilitar a geração de relatórios. A própria McKinsey já aposta em agentes de IA generativa para tarefas específicas de GRC, como orientar um comprador sobre se uma política de sanções se aplica a determinado fornecedor, ou em testes automatizados e baseados em risco para controles internos.


    Usar inteligência artificial de forma ética nas empresas passa a ser, nesse cenário, parte da própria estrutura de GRC, e não um tema paralelo a ela.


    Para quem quer aprofundar essa integração entre tecnologia e tomada de decisão estratégica, o curso de IA Aplicada à Gestão Empresarial da FDC Pós Online também trabalha essa frente.


    GRC conecta gestão, prevenção e estratégia


    A tecnologia, os processos e as exigências do mercado evoluem, e as empresas precisam evoluir junto, na forma como identificam riscos, tomam decisões e estruturam controles.


    Entender o que é GRC ajuda a perceber como governança, gestão de riscos e compliance atuam de maneira integrada, em vez de como três funções isoladas dentro da empresa. Com processos bem definidos, responsabilidades claras e apoio de tecnologia, é possível antecipar vulnerabilidades, fortalecer controles e apoiar decisões mais estratégicas.


    Uma estrutura de GRC bem organizada contribui para reduzir riscos e para aumentar a maturidade da organização diante de diferentes cenários, da GRC 1.0 até a fronteira ainda em construção da GRC 7.0.


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    Perguntas frequentes sobre GRC

    O que é GRC?

    GRC é a sigla para Governança, Risco e Compliance. Trata-se de uma abordagem integrada que ajuda as empresas a equilibrar criação de valor, mitigação de riscos e conformidade com normas legais e regulatórias.

    O que significa Governança, Risco e Compliance?
    • Governança: conjunto de princípios e regras que orientam decisões e responsabilidades dentro da empresa.
    • Risco: processo de identificação e controle de ameaças financeiras, jurídicas, operacionais e de segurança.
    • Compliance: conformidade com leis, normas e políticas internas para assegurar práticas éticas e sustentáveis.
    Como o GRC surgiu?

    O termo GRC foi modelado por Michael Rasmussen, considerado o “pai da Governança, Risco e Compliance”, em 2002. Ele criou um modelo para integrar estratégia, processos e tecnologia de forma mais eficiente nas empresas.

    Quais são as fases do GRC?

    O conceito de GRC evoluiu em gerações sucessivas, propostas por Michael Rasmussen, da GRC 20/20 Research: da GRC 1.0, focada em conformidade com a lei Sarbanes-Oxley, até a GRC 7.0, que já discute o uso de digital twins e inteligência artificial agêntica na orquestração de risco e integridade.

    Quais são os benefícios das ações de GRC?

    Entre os principais benefícios estão:

    • Redução de riscos e perdas financeiras;
    • Aumento da eficiência operacional;
    • Melhoria na tomada de decisão;
    • Fortalecimento da reputação corporativa;
    • Aderência às normas legais e éticas;
    • Criação de valor sustentável para o negócio.
    Como posso implementar o GRC na minha empresa?

    A implantação pode começar pela criação de um comitê de GRC ou pela nomeação de um gestor responsável pela integração das três áreas. Também é importante adotar tecnologias que automatizem processos e permitam o monitoramento contínuo de riscos.

    O que diferencia o GRC de outras práticas de gestão?

    O diferencial é a integração — em vez de tratar governança, risco e compliance de forma isolada, o GRC unifica essas áreas, garantindo uma gestão mais estratégica e resiliente.

    Por Bruna Hartmann

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