Impacto da IA no mercado de trabalho e o papel das lideranças

Olivia Baldissera • 27 de outubro de 2026

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    Uma empresa começa a adotar inteligência artificial e reúne a equipe para apresentar as ferramentas. Alguns profissionais querem experimentar. Outros perguntam quais atividades continuarão sob sua responsabilidade e se terão tempo para aprender. Em uma área que já utiliza IA, as dúvidas podem envolver a revisão das entregas, a cobrança por produtividade e as competências que passarão a ser valorizadas. 

    Essas situações hipotéticas mostram como o impacto da IA no mercado de trabalho chega à rotina dos gestores. Coordenadores, gerentes, heads e líderes de áreas precisam traduzir decisões de adoção em orientações para as pessoas, inclusive quando parte das mudanças ainda está em definição. 

    Preparar a equipe para essa transição exige comunicação, participação e condições de aprendizagem. A Imersão Executiva em IA: da Estratégia à Execução conecta o desenho da operação humano-IA à transformação organizacional e à execução. Essa conexão ajuda a colocar as pessoas entre as decisões que precisam acompanhar a estratégia. 

    Como o impacto da IA no mercado de trabalho chega às equipes 

    O impacto da IA no mercado de trabalho envolve mudanças nas atividades, nas competências exigidas e na distribuição de responsabilidades. Dentro da organização, o gestor precisa identificar quais dessas mudanças atingem sua equipe e quais condições serão necessárias para que os profissionais se adaptem. 

    A revisão de literatura Human-AI Teams’ Impact on Organizations, de Chloe Latto, Alexander Richter e Mary Tate, publicada em 2025, analisou 122 trabalhos. Entre os temas identificados estão clareza de papéis, desenvolvimento de competências, transparência dos sistemas e desafios como insegurança profissional e esforço de adoção. 

    Os autores reconhecem que a pesquisa sobre os efeitos dessas equipes nas estruturas organizacionais ainda apresenta lacunas. Portanto, os achados ajudam a orientar perguntas de gestão, sem determinar o que acontecerá com cada cargo ou empresa. 

    Considere uma atividade em que a IA passa a preparar uma primeira versão de análise. O trabalho humano pode envolver conferir informações, interpretar o contexto e justificar a recomendação. Cabe ao gestor esclarecer essa mudança e verificar se o profissional recebeu preparação para a nova responsabilidade. 

    Automatizar uma atividade, redesenhar um cargo e reduzir o quadro são decisões distintas. A liderança deve tratar cada uma com precisão, conforme as decisões efetivas da empresa. O conteúdo sobre IA aplicada à gestão empresarial aprofunda a conexão entre aplicações e escolhas de negócio. 

    Insegurança e confiança diante do impacto da IA no mercado de trabalho 

    No Global Talent Trends 2026, a Marsh apresenta uma base de aproximadamente 12 mil participantes, entre executivos, líderes de recursos humanos, empregados e investidores. Entre os empregados pesquisados, 40% apontam a perda de emprego por IA como uma de suas maiores preocupações sobre o futuro do trabalho. O documento também informa que 62% consideram que as lideranças subestimam os efeitos emocionais e psicológicos da IA sobre os profissionais. 

    Esses percentuais expressam percepções da pesquisa. Não medem demissões causadas pela tecnologia nem representam um diagnóstico de todas as equipes. Eles indicam, porém, temas que merecem ser ouvidos durante a implementação. 

    O profissional pode estar disposto a usar a ferramenta e, ao mesmo tempo, preocupado com sua trajetória. Também pode hesitar por não compreender as regras de uso, por ter encontrado erros ou por não saber quais informações está autorizado a fornecer ao sistema. Antes de classificar uma reação como resistência, procure entender a dificuldade concreta. 

    A confiança requer atenção semelhante. A revisão de Wen Duan e colaboradores, publicada em 2025, reuniu 57 estudos de 2008 a 2022 sobre confiança em equipes com agentes autônomos de IA. Confiabilidade e transparência aparecem como fatores importantes. O recorte reúne contextos e tecnologias diversos, com concentração em situações militares e de emergência, o que limita sua aplicação direta às ferramentas generativas atuais. 

    Para a gestão, uma orientação é permitir que a equipe conheça o funcionamento e os limites da aplicação no contexto em que será utilizada. Demonstrações de sucesso precisam ser acompanhadas de critérios para reconhecer erros e pedir apoio. 

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    Imersão Executiva em IA: da Estratégia à Execução

    Garanta sua vaga

    Como as lideranças podem responder ao impacto da IA no mercado de trabalho 

    O apoio às pessoas precisa aparecer em decisões da rotina. As orientações a seguir traduzem os temas das fontes em propostas de atuação gerencial, que devem ser ajustadas à realidade e às regras de cada organização. 

    Comunique as mudanças e reconheça as incertezas 

    Explique o problema que a adoção pretende resolver, as atividades envolvidas e o que já foi decidido sobre responsabilidades. Se a organização ainda está avaliando efeitos sobre cargos, informe o estágio da discussão e combine como as atualizações serão compartilhadas. 

    Evite garantir estabilidade profissional quando essa decisão não está sob sua autoridade. A comunicação pode ser transparente sobre os limites do que se sabe e objetiva sobre o apoio disponível, como capacitação, acompanhamento e discussão das mudanças de função com as áreas responsáveis. 

    Reserve espaço para dúvidas individuais e coletivas. Registre as questões que dependem de outras instâncias e retorne à equipe quando houver uma definição. Uma apresentação inicial precisa ter continuidade durante a implementação. 

    Envolva as pessoas nas decisões sobre o trabalho 

    Peça aos profissionais que descrevam as atividades afetadas e as situações em que usam experiência para decidir. Essa conversa permite identificar o que exige contexto, conferência ou contato com outras áreas. 

    O relatório da Marsh recomenda envolver os empregados no redesenho do trabalho. Na prática, o gestor pode organizar testes acompanhados e discutir com a equipe o que funcionou, onde houve dificuldade e quais responsabilidades precisam de esclarecimento. 

    A participação deve ter consequência visível. Se a equipe apontar que revisar uma saída consome mais esforço do que o previsto, incorpore essa informação à avaliação. Caso uma sugestão não possa ser adotada, explique a restrição. O artigo sobre liderança com IA amplia essa discussão sobre a condução das equipes. 

    Garanta acesso e tempo para aprender 

    Verifique quem tem acesso às ferramentas autorizadas, aos treinamentos e ao suporte. Diferenças entre funções podem justificar recursos distintos, mas os critérios precisam estar claros para as pessoas. 

    Na pesquisa da Marsh, 72% dos empregados acreditam que algumas pessoas em sua organização têm melhor acesso a ferramentas e capacitação em IA. Para 56%, a desigualdade de acesso afeta negativamente o ânimo no trabalho. Os dados reforçam a importância de examinar as condições oferecidas antes de comparar o desempenho dos profissionais. 

    Organize a aprendizagem a partir das atividades da área. Combine uma aplicação autorizada, exercícios de verificação e um profissional de referência para as dúvidas. Reserve tempo na rotina e ajuste a distribuição de entregas para que aprender e testar não se tornem uma exigência adicional sem planejamento. 

    O acompanhamento também deve considerar diferentes níveis de experiência. Quem está começando pode precisar de orientação sobre limites de uso. Quem já utiliza IA pode precisar aprofundar a avaliação de qualidade ou entender como compartilhar práticas com o restante do time. 

    Desenvolva critérios para usar e questionar a IA 

    Defina o que a equipe deve conferir, quando uma saída precisa de aprovação e quem pode resolver dúvidas. Trabalhe exemplos de resultados úteis e de falhas, sempre com materiais e ferramentas permitidos pela organização. 

    Na revisão de Latto, Richter e Tate, o desenvolvimento de competências e a transparência dos sistemas aparecem entre os fatores de sucesso identificados na literatura. Uma aplicação gerencial é combinar o aprendizado da ferramenta com a compreensão do papel de cada profissional no processo. 

    Estimule o relato de limitações e correções. O profissional precisa conseguir indicar que não sabe avaliar uma resposta ou que um resultado exige revisão, sem que isso seja interpretado automaticamente como falta de disposição para adotar a tecnologia. 

    Esse cuidado também se aplica à introdução de agentes de IA nas equipes. As atribuições dos sistemas e a responsabilidade das pessoas devem ser compreensíveis para quem participa do trabalho. 

    Acompanhe a adaptação junto aos resultados 

    Inclua na avaliação da adoção as dificuldades relatadas, as competências que ainda precisam ser desenvolvidas e o esforço gasto com conferência. Observe também se os profissionais tiveram condições equivalentes de aprender e utilizar os recursos previstos para sua função. 

    Converse sobre a destinação do tempo eventualmente liberado e sobre mudanças nas expectativas de entrega. Uma cobrança por maior produção precisa considerar a qualidade, o trabalho de supervisão e o estágio de aprendizagem. 

    Ao identificar dificuldades persistentes, examine se elas decorrem de treinamento insuficiente, ferramenta inadequada ou responsabilidades mal definidas. Encaminhe as questões que excedem a autonomia da área às instâncias responsáveis. A liderança deve usar esse acompanhamento para ajustar as condições de adoção. 

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    Como lidar com o impacto da IA no mercado de trabalho em diferentes estágios de adoção 

    As necessidades de apoio variam conforme a experiência da equipe e as mudanças previstas. Os exemplos abaixo são hipotéticos e ilustram decisões possíveis de gestão, sem representar casos reais ou resultados garantidos. 

    Quando a equipe está começando 

    Uma coordenação de atendimento pretende testar IA na preparação de respostas. Parte da equipe nunca utilizou a ferramenta e teme que o teste seja uma avaliação de quem poderá ser substituído. 

    A liderança pode começar esclarecendo o objetivo e o escopo efetivo do piloto, sem antecipar conclusões sobre cargos. Em seguida, organiza acesso, treinamento e prática com situações autorizadas. Durante o teste, uma pessoa designada acompanha dúvidas e todos sabem quem aprova a resposta antes do envio. 

    As reuniões de acompanhamento registram erros, dificuldades e sugestões dos atendentes. Assim, a avaliação do piloto inclui tanto a entrega quanto as condições para executá-la. As dúvidas sobre decisões futuras da empresa seguem para a instância competente. 

    Quando a equipe já utiliza IA 

    Em uma área de planejamento, alguns analistas usam IA com frequência e outros enfrentam dificuldades para revisar o material gerado. A liderança recebe relatos de ganho de tempo, mas a revisão final fica concentrada em poucos profissionais. 

    O gestor pode mapear as diferenças de acesso e conhecimento, redistribuir o esforço de supervisão e organizar momentos de aprendizagem entre pares. Também precisa esclarecer os critérios de qualidade e preservar oportunidades para que os menos experientes desenvolvam capacidade de análise. 

    Se a revisão continuar concentrada, será necessário avaliar a distribuição de responsabilidades e a preparação da equipe antes de elevar metas. O debate sobre inteligência artificial aplicada ajuda a relacionar o uso da tecnologia às necessidades do negócio. 

    Prepare sua liderança para conduzir o impacto da IA no mercado de trabalho 

    A comunicação com a equipe, a capacitação e a revisão de responsabilidades precisam estar conectadas às decisões de adoção da empresa. Quando o gestor prepara uma iniciativa de IA, deve explicitar também as mudanças que ela exige das pessoas e o apoio necessário para executá-las. 

    Na Imersão Executiva em IA: da Estratégia à Execução, essa conexão é trabalhada no AI Executive Strategy Blueprint. O artefato executivo reúne oportunidade de negócio, estratégia de adoção, modelo operacional humano-IA, transformação organizacional e execução. 

    O encontro presencial tem dois dias intensivos de sessões com professores especialistas, discussões entre pares, estudos de caso reais e atividades hands-on. O participante trabalha os frameworks sobre os desafios da própria organização, com mentoria e networking ao longo do encontro. 

    Para quem lidera uma área, essa experiência permite desenvolver o plano de IA considerando as decisões sobre trabalho, responsabilidades e preparação da equipe. São definições que ajudam a organizar a execução e a discussão com as demais áreas envolvidas. 

    Perguntas frequentes sobre o impacto da IA no mercado de trabalho 

    O uso de IA significa que os cargos serão eliminados?

    A adoção pode envolver redistribuição de tarefas, desenvolvimento de competências e mudanças de função ou de quadro. As fontes não permitem prever o destino de um cargo específico. O gestor deve comunicar as decisões efetivas da organização e distinguir mudanças já aprovadas de possibilidades em avaliação. 

    Como apoiar quem tem receio de usar IA no trabalho?

    Identifique a origem da preocupação, esclareça os objetivos e limites da adoção e ofereça condições de aprendizagem. Envolva o profissional na discussão das atividades afetadas e mantenha um canal para dúvidas e relatos de falhas. 

    Que competências a liderança deve ajudar a desenvolver?

    As necessidades dependem das atividades e ferramentas adotadas. O plano pode incluir compreensão dos limites de uso, conferência de informações, interpretação do contexto e encaminhamento de exceções. A preparação precisa estar ligada às responsabilidades que cada pessoa assumirá. 

    Referências 

    • DUAN, Wen et al. Trusting Autonomous Teammates in Human-AI Teams - A Literature Review. In: CHI CONFERENCE ON HUMAN FACTORS IN COMPUTING SYSTEMS, 2025, Yokohama. Proceedings […]. New York: ACM, 2025. 23 p. DOI: 10.1145/3706598.3713527. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/full/10.1145/3706598.3713527
    • LATTO, Chloe; RICHTER, Alexander; TATE, Mary. Human-AI Teams’ Impact on Organizations – A Review. In: HAWAII INTERNATIONAL CONFERENCE ON SYSTEM SCIENCES, 58., 2025. Proceedings […]. 2025. p. 152–161. Disponível em: https://hdl.handle.net/10125/108855.
    • MARSH. Global Talent Trends 2026: trend 1: reinvent for a human advantage. 2026. Disponível em: https://info.marsh.com/global-talent-trends/2026/ 

    Por Olivia Baldissera

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