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A IA aplicada à gestão empresarial deixou de ser uma pauta restrita às áreas de tecnologia. Nos últimos anos, ela passou a ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas, ao lado do avanço mais amplo da inteligência artificial nas empresas em todo o mundo.
Hoje, a tecnologia também integra a rotina de grande parte da população e ampliou seu alcance no ambiente corporativo. Os dados comprovam esse movimento.
Em 2025, 20,2% das empresas dos países da OCDE declararam utilizar IA , mais que o dobro dos 8,7% registrados em 2023. Entre as grandes corporações, a adoção chegou a 52%.
No Brasil, apesar dos avanços constantes, a tecnologia ainda pode ser mais explorada. Um estudo da OCDE, BCG e INSEAD sobre empresas paulistas analisou 2.561 organizações de médio e grande porte dos setores de manufatura e serviços de tecnologia da informação no estado de São Paulo e identificou que apenas 167, ou 6,5%, utilizavam IA ativamente.
Dados mais recentes mostram um crescimento consistente desde então. Um levantamento do Cetic.br aponta que o uso de IA por empresas brasileiras avançou de 13% em 2024 para 17% em 2025, chegando a 50% entre as companhias de grande porte.
Esses números indicam que a IA aplicada à gestão empresarial pode fazer a diferença nos resultados de uma empresa e destacá-la no mercado, quando utilizada de forma estratégica.
Conhecer ferramentas, testar prompts e acompanhar as novidades tecnológicas pode ser o ponto de partida quando se trata de IA para gestores. Mas a aplicação estratégica exige uma visão mais ampla, que envolva objetivos empresariais, processos, dados, pessoas, governança e capacidade de decisão.
Durante muito tempo, a adoção de novas tecnologias ficou concentrada em decisões de infraestrutura, sistemas e suporte à operação, tratadas quase sempre por equipes de TI.
Com a chegada da inteligência artificial, esse cenário mudou. A tecnologia passou a interferir diretamente na forma como as empresas analisam informações, interagem com clientes e colaboradores, automatizam processos e tomam decisões, o que afeta diretamente os resultados das equipes e o alcance de metas.
A liderança brasileira já trata o tema como prioridade estratégica, uma vez que uma pesquisa da Deloitte Brasil mostra que 87% dos executivos do país acreditam que a IA vai impulsionar o crescimento de receita da empresa, acima da média global de 74%. É por isso que hoje o uso de IA deixou de ser pauta só dos times de TI e passou a ser uma decisão de gestão.
Ao pensar no uso de IA para gestores, o ponto central é identificar qual problema de negócio a tecnologia vai resolver, não apenas qual ferramenta utilizar.
O gestor pode adotar uma série de ferramentas de IA para negócios e ainda assim não construir uma estratégia consistente de inteligência artificial. Da mesma maneira, uma equipe pode utilizar prompts para ChatGPT diariamente sem gerar impacto relevante nos indicadores da empresa.
Por isso, o desafio da liderança é conectar tecnologia e estratégia: identificar oportunidades em que a IA pode contribuir para produtividade, experiência do cliente, análise de dados, inovação, gestão de riscos ou eficiência operacional e, a partir daí, estabelecer critérios para medir os resultados.
Essa lacuna entre adoção e resultado já aparece em pesquisas globais. Segundo o McKinsey Global Survey on AI , 88% das organizações usam IA com regularidade em pelo menos uma área do negócio, mas apenas 39% relatam impacto mensurável no lucro operacional (EBIT) e só 6% se qualificam como empresas de alto desempenho na captura de valor da tecnologia.
A IA pode assumir diferentes funções dentro de uma organização, passando na maioria dos casos pelas áreas de marketing, vendas e operações. A aplicação mais adequada de inteligência artificial para negócios depende do contexto, dos dados disponíveis, dos processos existentes e dos objetivos estratégicos. Ainda assim, existem usos praticamente consagrados em cada um desses setores, apresentados a seguir.
Em marketing, a inteligência artificial pode apoiar análise de comportamento, segmentação de públicos, personalização de comunicação, geração e adaptação de conteúdos e interpretação de dados de campanhas.
O gestor precisa ir além da perspectiva de automação. O objetivo não deve ser produzir mais conteúdo simplesmente porque uma ferramenta permite fazer isso em menos tempo. Primeiro, é importante identificar como a IA pode contribuir para decisões melhores: quais públicos priorizar, quais mensagens testar, como interpretar sinais de mercado e como transformar dados em ações.
Uma pesquisa da Gartner mostra que 27% dos líderes de marketing relatam adoção limitada ou nula de IA generativa em campanhas, mesmo com o otimismo em torno da tecnologia. Esse dado reforça que a distância entre testar uma ferramenta e extrair resultado consistente também aparece nessa área.
Na área comercial, a IA pode apoiar profissionais na análise de clientes, identificação de oportunidades, previsão de demanda, priorização de leads e preparação de interações comerciais.
Em vez de substituir a visão estratégica do vendedor ou do gestor, a tecnologia amplia a capacidade de análise e libera tempo para atividades de maior valor. Ainda assim, é preciso considerar a qualidade dos dados utilizados, os critérios de decisão e a integração com os processos comerciais já existentes.
Em operações, os ganhos potenciais estão relacionados à automação, previsão, análise de processos, identificação de gargalos, manutenção preditiva e otimização de recursos.
O estudo da OCDE, BCG e INSEAD sobre empresas paulistas, já citado neste artigo, encontrou aplicações relevantes de IA em controle de processos, automação e otimização da produção, além de usos voltados ao atendimento e ao relacionamento com clientes.
O ponto central é que a tecnologia precisa estar associada a um processo que possa ser melhorado, com indicadores capazes de demonstrar o impacto dessa melhoria.
O crescimento da inteligência artificial generativa facilitou o acesso das empresas a ferramentas capazes de produzir textos, analisar informações, gerar imagens, resumir documentos e apoiar tarefas cotidianas. Isso democratiza o acesso à tecnologia, mas também cria um risco: confundir facilidade de uso com maturidade digital.
Um levantamento do MIT sobre o uso corporativo de IA generativa encontrou que 95% dos pilotos testados por grandes empresas não geram retorno financeiro mensurável. Testar uma ferramenta é fácil; transformá-la em resultado consistente para o negócio é o que realmente separa as empresas maduras das que só experimentam a tecnologia.
Uma ferramenta de IA pode ser extremamente eficiente para uma tarefa individual e, ainda assim, não produzir impacto significativo para a organização. Por isso, ao avaliar soluções de IA para empresas, o gestor deve considerar pelo menos cinco perguntas:
Essa lógica também muda a maneira de interpretar os exemplos de IA aplicada aos negócios de outras empresas. Mais importante do que reproduzir o uso de outra organização é entender o princípio por trás da aplicação e avaliar se ele é adequado ao próprio contexto.
Bons prompts são essenciais, uma vez que melhoram a qualidade da interação com as ferramentas de IA, ajudam a estruturar análises e aumentam a produtividade em diversas atividades. Ainda assim, existe uma grande diferença entre saber elaborar prompts e liderar a adoção de IA de forma estratégica.
O primeiro é uma competência operacional; o segundo, uma competência de gestão. Por isso, conteúdos sobre prompts para ChatGPT e para qualquer outra ferramenta de IA são úteis, mas o gestor de IA precisa avançar para perguntas mais amplas, como:
A adoção consistente de inteligência artificial em uma empresa depende de mais do que aplicar a tecnologia nas tarefas diárias. Ela precisa ser sustentada por uma combinação de estratégia, dados, governança e cultura. A seguir, confira os passos importantes para realizar uma boa adoção de IA na sua empresa.
Começar definindo a ferramenta costuma inverter a lógica da IA aplicada à gestão empresarial . Por isso, antes de escolher uma solução, identifique o problema, o processo afetado, o resultado esperado e a forma de mensuração.
Um levantamento da RAND Corporation sobre por que projetos de IA fracassam identificou que 84% dos casos de insucesso têm origem em decisões de liderança, não em limitações da tecnologia. Em geral, times de gestão falham em comunicar qual problema resolver e quais métricas otimizar antes de escolher a ferramenta.
Uma aplicação pode parecer inovadora e não ter relevância estratégica. Por outro lado, uma solução menos sofisticada pode gerar ganhos expressivos, uma vez que resolve um gargalo importante.
A qualidade das informações disponíveis influencia diretamente a capacidade da empresa de utilizar IA de maneira consistente. Dados incompletos, desorganizados, desatualizados ou sem critérios claros de acesso podem limitar os resultados e aumentar riscos.
A Gartner projeta que 60% dos projetos de IA serão abandonados até 2026 por falta de dados preparados para a tecnologia, já que muitas empresas ainda usam práticas de gestão de dados rígidas demais para as exigências da IA. Por isso, busque os dados relevantes para cada problema e avalie a qualidade e a relevância deles antes de aplicar qualquer ferramenta.
Quanto mais a IA participa de processos relevantes, maior é a necessidade de estruturar a governança de IA, com responsabilidades, critérios de uso, segurança e mecanismos de supervisão bem definidos. A governança deve responder perguntas como:
Esse é um dos pontos mais frágeis da adoção de IA no Brasil hoje. Uma pesquisa da Deloitte Brasil mostra que 95% das empresas planejam adotar IA agêntica nos próximos dois anos, mas apenas 27% já têm modelos de governança maduros para sustentar essa adoção.
Essa discussão também passa pela ética na inteligência artificial , especialmente quando as aplicações envolvem informações sensíveis, clientes, colaboradores ou decisões que podem produzir impactos relevantes na vida das pessoas envolvidas. O curso de IA Aplicada à Gestão Empresarial da FDC Pós Online dedica uma disciplina inteira a esse tema, com o objetivo de preparar gestores para tomar essas decisões com mais segurança.
Nenhuma transformação tecnológica acontece apenas pela adoção de uma ferramenta. As pessoas precisam entender por que a mudança está acontecendo, como a tecnologia será utilizada e quais responsabilidades permanecem sob sua atuação.
A liderança orientada por IA tem papel central nesse processo. Mais do que incentivar o uso indiscriminado de ferramentas, cabe aos gestores criar condições para experimentação responsável, aprendizagem contínua e avaliação de resultados.
Depois de identificar processos em que a IA pode gerar ganhos concretos, analisar os dados necessários, estruturar a governança e preparar as equipes, a tecnologia passa a estar associada a objetivos mais claros. Como, por exemplo, reduzir tempo operacional, melhorar a análise de dados ou apoiar equipes comerciais.
No estágio mais avançado, a inteligência artificial passa a fazer parte da forma como a organização trabalha e toma decisões. Isso envolve coleta e análise de dados mais precisa; criação ou reestruturação de processos; treinamentos e gestão de pessoas; governança mais eficiente; indicadores de resultados; e desenvolvimento de lideranças.
Dessa forma, a empresa não pergunta apenas onde pode utilizar IA, mas também passa a avaliar onde a IA pode gerar vantagem competitiva e como sua aplicação pode ser sustentada ao longo do tempo.
Essa visão também ajuda a compreender por que acompanhar as tendências de IA é importante, mas não suficiente, já que o valor estratégico está em compreender quais avanços realmente importam para os objetivos da organização.
A adoção de IA por gestores pode levar a decisões que comprometem tanto os resultados quanto a capacidade de transformação da empresa. A Gartner projeta que 30% dos projetos de IA generativa serão abandonados após a fase de prova de conceito até o fim de 2025, principalmente por dados de baixa qualidade, controles de risco insuficientes e valor de negócio pouco claro. Conheça os principais erros que podem levar sua empresa a esse resultado.
A novidade tecnológica não deve ser o ponto de partida. O problema ou a oportunidade empresarial é que deve orientar a escolha.
Se alguns profissionais utilizam IA para realizar tarefas mais rapidamente, isso é positivo, mas o ganho individual não significa necessariamente que a empresa tenha construído uma capacidade estratégica de IA.
Modelos e ferramentas dependem das informações às quais têm acesso. Dados inadequados podem comprometer análises e decisões.
Segurança, privacidade, ética e responsabilidade precisam fazer parte do projeto desde o início.
A transformação digital envolve tecnologia, mas também abrange áreas como marketing, vendas, operações, finanças, pessoas e estratégia.
A adoção de IA na rotina profissional exige novas competências. Sem a capacitação adequada dos times, a empresa pode ter ferramentas disponíveis, mas dificuldade para utilizá-las de maneira estratégica e sem aproveitar todo o potencial que oferecem.
Apenas garantir acesso a dados de qualidade não é suficiente. É preciso medir os indicadores com frequência e consistência. Sem isso, a organização não consegue saber se a iniciativa realmente gerou valor.
A inteligência artificial pode ser uma importante alavanca de transformação digital, mas o avanço da IA nas empresas só se sustenta quando a adoção está conectada à estratégia da organização, com a empresa vista como um sistema.
Uma solução implantada em uma área pode afetar processos de outra, modificar responsabilidades de colaboradores, depender da qualidade dos dados armazenados em outros sistemas e até gerar riscos jurídicos, reputacionais ou operacionais. É por isso que a IA aplicada à gestão empresarial exige visão sistêmica.
Além de compreender o funcionamento da tecnologia adotada, o gestor de IA também precisa conhecer suas implicações para colaboradores, times, processos, clientes e resultados.
No Brasil, esse movimento já aparece nos números: 42% das empresas dizem usar IA para promover mudanças estruturais no negócio, acima da média global de 34%, segundo a Deloitte Brasil .
A inteligência artificial já oferece novas e excelentes possibilidades para as organizações alavancarem seus negócios. Mas transformar essas possibilidades em resultados exige preparo. Para o gestor, isso significa desenvolver uma visão que conecte estratégia, tecnologia, processos, dados, pessoas e tomada de decisão. Para isso, é importante investir em uma formação em IA que abranja todos esses tópicos de forma completa e aprofundada.
O objetivo não deve ser apenas conhecer e aprender a utilizar as ferramentas disponíveis no mercado, mas, principalmente, desenvolver repertório para avaliar oportunidades, estruturar iniciativas, conduzir mudanças e tomar decisões mais consistentes em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados e tecnologia.
Se você deseja aprofundar essa perspectiva, conheça o curso de IA Aplicada à Gestão Empresarial da FDC Pós Online, voltado ao desenvolvimento de competências para compreender e aplicar a inteligência artificial no contexto da gestão.
É o uso estratégico de recursos de inteligência artificial para apoiar processos, decisões e objetivos de uma organização. Em vez de considerar apenas ferramentas específicas, a abordagem envolve a integração entre tecnologia, estratégia, dados, pessoas, processos e governança.
As aplicações variam conforme o setor e a função. Em marketing, podem envolver análise de dados, personalização e produção de conteúdo. Em vendas, análise de clientes, previsão e priorização de oportunidades. Em operações, automação, previsão, controle de processos e otimização.
A inteligência artificial pode automatizar tarefas e apoiar análises, mas a gestão envolve decisões estratégicas, avaliação de contexto, liderança, responsabilidade e definição de prioridades. Por isso, o foco deve estar em ampliar a capacidade de decisão, não em substituir atividades.
Os dados são a base para que a inteligência artificial gere análises e resultados relevantes para o negócio. Quanto mais qualificados, organizados, atualizados e seguros forem os dados utilizados, maior tende a ser a capacidade de a empresa obter respostas confiáveis e tomar decisões mais consistentes.
O primeiro passo é identificar problemas ou oportunidades concretas de negócio. Em seguida, a empresa pode avaliar dados disponíveis, escolher aplicações prioritárias, estabelecer critérios de governança, preparar as equipes e definir indicadores para acompanhar os resultados.
O gestor deve desenvolver visão sistêmica sobre tecnologia e negócios, compreender possibilidades e limitações da IA, fortalecer competências relacionadas a dados e tomada de decisão, e aprender a conduzir pessoas e processos durante a transformação.
Por Mauricio Schwingel
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