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Apenas 25% das empresas familiares registraram crescimento de dois dígitos em 2025. Dois anos antes, essa taxa era de 43%.
O dado é da 12ª Pesquisa Global de Empresas Familiares da PwC, "Lidando com Pressão e Turbulência", divulgada em 16 de março de 2026.
A pesquisa ouviu 1.325 acionistas e lideranças de empresas familiares em mais de 60 territórios, entre abril e junho de 2025, em parceria com o John L. Ward Center for Family Enterprises, da Kellogg School of Management (Northwestern University). Mais da metade dos respondentes fatura acima de US$ 51 milhões por ano.
As empresas familiares respondem por dois terços do PIB mundial e 60% dos empregos no planeta, segundo estimativas das Nações Unidas citadas no estudo. A desaceleração, portanto, tem peso direto sobre a economia global.
Oitenta por cento das empresas familiares conseguem resumir seu propósito em uma frase, contra 76% em 2023. Entre elas, 65% comunicam esse propósito internamente e 60% o conectam diretamente ao produto ou serviço oferecido.
A pesquisa aponta que empresas com propósito claro têm o dobro de chance de registrar crescimento acelerado em relação às demais.
A maioria, porém, não formaliza esses valores. Apenas 61% das empresas familiares têm os valores documentados, ainda que 86% delas afirmem ser guiadas por valores da família.
Matt Allen, professor da Kellogg School of Management (Northwestern University), afirma que o propósito atua como visão unificadora e orienta as decisões das lideranças familiares.
Entre as empresas familiares mais ágeis na tomada de decisão, 47% se consideram "ágeis" ou "muito ágeis". Esse grupo cresce mais: 31% registraram crescimento de dois dígitos, contra 21% da amostra geral.
A agilidade está ligada à centralização das decisões, já que essa estrutura permite respostas mais rápidas a mudanças de mercado. Nas empresas mais ágeis, 46% concentram decisões estratégicas em poucas pessoas. Entre as menos ágeis, essa centralização cai para 39%.
A mesma centralização, porém, convive com lacunas de governança. Apenas 9% das empresas familiares têm conselhos diversos e só 30% adotam protocolos familiares formais, documentos que organizam papéis, sucessão e decisões entre membros da família.
Os modelos de gestão de riscos corporativa , como o COSO ERM, ajudam a preencher essa lacuna ao formalizar papéis e processos de decisão dentro do negócio familiar.
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Setenta e cinco por cento das empresas familiares preferem uma visão de investimento equilibrada ou de longo prazo, em vez de buscar retorno imediato. Essa paciência de capital permite investir em áreas adjacentes ao negócio principal sem a pressão de resultados trimestrais.
Sir Michael Bibby, CEO do grupo britânico Bibby Line Group, fundado em 1807, resume a lógica: "Você precisa evoluir. Em 40 anos, não estará mais aqui se não fizer isso."
Os family offices também aparecem como motores de crescimento. Dr. Ghassan Alsulaiman, fundador e presidente do Alsulaiman Group, em Jedá, afirma que a empresa mira "investimentos que podem levar a empresa familiar por várias gerações".
Para Ashish Bharat Ram, diretor-geral da indiana SRF Ltd., a disposição para assumir riscos de longo prazo é o que diferencia empresas familiares das demais: "É aqui que empresas familiares fazem diferença, tomando riscos de longo prazo que outros não conseguem."
Sessenta por cento das empresas familiares veem a inteligência artificial generativa como oportunidade de crescimento, não como ameaça.
Entre as empresas familiares listadas em bolsa, 46% dos CEOs relatam aumento simultâneo de receita e lucro atribuído ao uso de IA generativa. Entre concorrentes não familiares, esse índice varia de 29% a 32%.
Os ganhos aparecem sobretudo em precificação dinâmica e engajamento com clientes, segundo a pesquisa.
O uso ético da inteligência artificial nas empresas, porém, ainda é tema recente para boa parte das lideranças familiares ouvidas, e é isso que separa ganho de receita de risco reputacional.
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A cobertura de imprensa negativa é apontada como o principal risco reputacional por 43% das empresas familiares. O ativismo de colaboradores aparece em segundo lugar, citado por 25%.
A confiança do público em empresas familiares também caiu. Em 2015, a diferença de confiança em relação a empresas não familiares era de 16 pontos percentuais. Em 2025, essa diferença encolheu para 8 pontos.
Richard Edelman, CEO da consultoria de comunicação Edelman, defende uma resposta local: "Em vez de multinacional, você precisa ser multilocal. Confiança é construída de forma hiperlocal."
A PwC resume os achados em quatro frentes que distinguem as empresas familiares de melhor desempenho: propósito convertido em ação, agilidade na tomada de decisão, capital paciente para investir no longo prazo e gestão ativa da reputação.
Helena Rocha, sócia da PwC Brasil e líder de Empresas Familiares, resume o momento: "Em momentos de volatilidade, ter disciplina estratégica é tão importante quanto ser ágil. Empresas familiares que convertem propósito em ação têm vantagem competitiva."
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A Pesquisa Global de Empresas Familiares é um levantamento periódico da PwC sobre estratégia, governança e desempenho de empresas controladas por famílias. A 12ª edição, "Lidando com Pressão e Turbulência", ouviu 1.325 acionistas e lideranças em mais de 60 territórios entre abril e junho de 2025.
A 12ª edição ouviu 1.325 acionistas e lideranças de empresas familiares. Mais da metade dos respondentes fatura acima de US$ 51 milhões por ano, com maior concentração nos setores de manufatura e bens de consumo.
Apenas 25% das empresas familiares registraram crescimento de dois dígitos em 2025, contra 43% em 2023. A pesquisa não atribui a queda a uma causa única, mas relaciona o resultado a um ambiente de maior volatilidade econômica e geopolítica global.
Sessenta por cento das empresas familiares veem a inteligência artificial generativa como oportunidade de crescimento. Entre as listadas em bolsa, 46% dos CEOs relatam aumento simultâneo de receita e lucro ligado ao uso da tecnologia, principalmente em precificação dinâmica e engajamento com clientes.
Os protocolos familiares são documentos que formalizam papéis, critérios de sucessão e regras de decisão entre membros da família dentro do negócio. Segundo a pesquisa da PwC, apenas 30% das empresas familiares adotam esse tipo de protocolo, e só 9% têm conselhos diversos.
A governança corporativa organiza a relação entre propriedade, gestão e família, reduzindo conflitos e riscos de sucessão. A pesquisa da PwC associa lacunas de governança, como baixa diversidade nos conselhos e ausência de protocolos familiares, a maior vulnerabilidade em cenários de transição e turbulência.
Por Mauricio Schwingel
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