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Um consultor da BCG que usa IA generativa dentro da faixa de tarefas em que a ferramenta funciona bem completa 12,2% mais tarefas e entrega o trabalho 25,1% mais rápido que um colega sem IA.
Fora dessa faixa, a mesma ferramenta faz a taxa de acerto cair 19 pontos percentuais. O dado vem de um experimento com 758 consultores da BCG, publicado em março de 2026 na Organization Science por pesquisadores de Harvard, Wharton, MIT e da própria BCG.
A pesquisa batizou esse padrão de fronteira desigual da IA generativa (jagged frontier, no termo original). Tarefas com nível de dificuldade parecido caem em lados opostos da capacidade real do modelo: uma ajuda de forma consistente, a outra prejudica, e a diferença não é visível de fora.
A Fundação Dom Cabral já tratou os fundamentos de como levar a IA da ferramenta à estratégia na gestão empresarial. O experimento da BCG explica por que esse mapeamento tarefa a tarefa é necessário: é a evidência causal mais rigorosa até hoje sobre onde a IA generativa ajuda e onde ela engana equipes inteiras.
O estudo recrutou 758 consultores da BCG, cerca de 7% da força de trabalho individual da consultoria, a maioria no início de carreira e com até um ano de empresa. Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos de tarefa, um para testar o que a IA generativa faz bem e outro para testar o que ela faz mal.
Dentro de cada grupo, sortearam três condições: sem IA, com GPT-4 sem preparo adicional e com GPT-4 mais um treinamento breve sobre como formular comandos.
385 consultores receberam uma tarefa de criação: propor pelo menos dez ideias de um novo tênis para um público carente de atenção do mercado, com etapas de criatividade, raciocínio analítico, redação e persuasão somando 18 subtarefas.
Três avaliadores humanos, sem saber quem tinha usado IA, pontuaram cada resposta em escalas de 1 a 10. O GPT-4 também pontuou as respostas de forma independente, como segunda camada de avaliação.
Os outros 373 consultores receberam planilhas de desempenho de marca e notas de entrevista com pistas sutis e decisivas escondidas no meio do material. A tarefa era identificar qual marca hipotética tinha potencial real de crescimento e recomendar as próximas ações.
A resposta certa existia e era binária: acertou ou não. Os avaliadores também pontuaram a coerência do raciocínio, mesmo quando a recomendação final estava errada.
Na tarefa de criação, dentro da fronteira de capacidade do modelo, os consultores que usaram GPT-4 com o treinamento de prompt tiveram qualidade 33,9% maior que o grupo de controle. Quem usou GPT-4 sem preparo adicional teve ganho de 29,9%.
Em produtividade, o grupo com IA completou 12,2% mais subtarefas e terminou o trabalho 25,1% mais rápido.
O ganho não se distribuiu de forma igual entre os consultores. Quem tinha desempenho relativamente mais baixo antes do experimento foi quem mais se beneficiou da IA generativa. A ferramenta funcionou como um piso de qualidade, já que reduziu a distância entre os consultores mais e menos experientes do grupo, não como uma vantagem reservada a quem já dominava a tarefa.
Na tarefa de recomendação de marca, fora da fronteira de capacidade do GPT-4 no momento do experimento, o grupo com IA teve uma taxa de acerto 19 pontos percentuais menor que o grupo sem IA.
O problema não foi só o modelo errar. Foi os consultores confiarem na resposta errada porque ela vinha bem argumentada, coerente e escrita com a mesma fluência de uma resposta certa.
Esse é o ponto que a pesquisa chama de excesso de confiança automatizado: a IA generativa não hesita quando erra, e quem lê o resultado não tem como diferenciar, pela forma do texto, uma recomendação bem fundamentada de uma recomendação equivocada e bem escrita.
Levantamento do MIT NANDA com empresas que já pilotaram IA generativa mostra que 95% dos projetos corporativos não chegam a um retorno mensurável. O experimento da BCG ajuda a explicar por que: a maioria das organizações trata a IA generativa como uma ferramenta uniforme, aplicável do mesmo jeito em qualquer fluxo de trabalho, quando o comportamento dela varia tarefa a tarefa dentro da mesma equipe.
Isso desloca o papel de quem lidera. A decisão deixa de ser sobre adotar ou não a tecnologia e passa a ser sobre em quais tarefas confiar a IA sem revisão, em quais manter supervisão humana obrigatória e em quais nem testar, pelo menos por ora.
Esse é o núcleo da liderança orientada por IA: o líder deixa de ser quem opera a ferramenta e passa a ser quem traduz a estratégia de IA em decisões concretas para cada equipe, tarefa por tarefa.
Mapear a fronteira não é um exercício teórico. É testar a ferramenta na tarefa real, com um grupo fazendo do jeito de sempre e outro usando IA, comparando taxa de acerto e não apenas velocidade de entrega, e envolvendo quem já domina aquele trabalho manualmente para avaliar as respostas por rubrica, como fizeram os pesquisadores da BCG.
A Fundação Dom Cabral estruturou essa lógica em formato de programa executivo. A Imersão Executiva em IA ensina o próprio framework da fronteira desigual, junto com os modelos de centauro versus cyborg e co-inteligência, e termina com um plano de aplicação levado para dentro da empresa do participante, no formato presencial de dois dias com trilha online antes e depois.
O primeiro teste não precisa ser grande.
Escolha uma única tarefa recorrente da sua equipe, rode um mês com um grupo usando IA generativa e outro sem, e compare taxa de acerto antes de decidir de que lado da fronteira aquela tarefa fica.
É o padrão descrito por pesquisadores de Harvard, Wharton, MIT e BCG em que tarefas com nível de dificuldade parecido caem em lados opostos da capacidade real da IA generativa. Em algumas, o modelo ajuda de forma consistente. Em outras, aparentemente parecidas, ele prejudica o resultado, e a única forma confiável de saber qual é qual é testar tarefa por tarefa.
Aumenta, mas só dentro da fronteira de capacidade da ferramenta. No experimento com 758 consultores da BCG, quem usou GPT-4 em tarefas dentro dessa faixa completou 12,2% mais tarefas e foi 25,1% mais rápido que o grupo sem IA. Fora da fronteira, a mesma ferramenta piorou o resultado em vez de melhorá-lo.
Porque fora da fronteira de capacidade, o modelo continua respondendo com a mesma fluência e confiança de sempre, mesmo quando está errado. No estudo da BCG, os consultores que confiaram nas recomendações incorretas da IA tiveram queda de 19 pontos percentuais na taxa de acerto, em parte porque a resposta errada era tão bem argumentada quanto a correta.
A IA preditiva analisa dados históricos para estimar um resultado futuro, como a chance de um cliente cancelar um contrato ou a demanda de um produto no mês seguinte. A IA generativa cria conteúdo novo, texto, imagem ou código, a partir de padrões aprendidos, sem uma resposta certa definida de antemão nos dados. Essa diferença explica por que a fronteira de capacidade da IA generativa varia mais entre tarefas do que a de modelos preditivos tradicionais.
Não existe fórmula única nem lista fixa de tarefas seguras. O caminho validado pela pesquisa é testar a ferramenta na tarefa específica com um grupo de controle sem IA, comparando taxa de acerto e qualidade, não só velocidade, e usando quem já domina aquele trabalho para avaliar as respostas.
No experimento da BCG, os consultores com desempenho relativamente mais baixo antes do teste tiveram o maior ganho de qualidade ao usar IA generativa nas tarefas dentro da fronteira. A explicação mais provável é que a ferramenta funciona como um piso de qualidade: reduz a distância entre quem domina menos e quem domina mais um tipo de tarefa, e não como uma vantagem extra para quem já tinha bom desempenho.
Por Mauricio Schwingel
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