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A gestão das empresas familiares brasileiras está diante de uma transformação estrutural. É o que mostra o KPMG Global Family Business Report 2026, pesquisa que ouviu 1.927 líderes de empresas familiares em 41 países, sendo 122 deles no Brasil.
O levantamento aponta uma queda acentuada no modelo de gestão centrado na família. No Brasil, a parcela de empresas "family run" (quando a gestão é conduzida diretamente pelos próprios donos) deve cair de 48% para 8% até 2035. No cenário global, a retração é de 49% para 12% no mesmo período.
Segundo a KPMG, a mudança não representa um afastamento dos valores familiares. Trata-se de uma evolução do modelo de gestão, com as famílias assumindo papel mais estratégico por meio de conselhos e mecanismos de supervisão.
Entre os líderes brasileiros entrevistados, 75% afirmam ter uma estratégia clara de crescimento e 74% relatam forte alinhamento entre a liderança da empresa. Ainda assim, 61% acreditam que os desafios para crescer vão aumentar nos próximos anos, percentual acima da média global, de 59%.
A pesquisa atribui esse cenário a um ambiente de negócios marcado por mudanças tecnológicas, escassez de talentos e incertezas econômicas. Essa combinação de confiança e cautela, segundo a KPMG, define o momento das empresas familiares em 2026.
A pesquisa mostra que os atributos ligados à identidade familiar seguem relevantes para a competitividade do negócio. No Brasil, 90% dos entrevistados apontam a reputação da família como vantagem perante clientes, parceiros e mercado, contra 87% na média global.
Também aparecem como diferenciais os valores compartilhados, citados por 86% dos líderes brasileiros como elemento que fortalece a cultura organizacional, e o capital paciente, mencionado por 82% como fator que permite decisões de investimento com foco no longo prazo, sem pressão por retorno imediato.
Porém, o próprio estudo faz uma ressalva. Esses diferenciais precisam ser acompanhados por processos mais estruturados de tomada de decisão, governança e supervisão para se sustentar no tempo.
A inteligência artificial aparece como um dos principais impulsionadores de crescimento identificados pela pesquisa. No Brasil, 80% das empresas familiares afirmam estar implementando IA ativamente, percentual bem superior à média global, de 64%.
A adoção rápida, no entanto, expõe uma lacuna. Quase a metade das empresas familiares brasileiras, 45%, ainda não desenvolveu uma estrutura de governança para o uso da tecnologia. No cenário global, essa parcela é de 38%.
A tecnologia avança mais rápido do que os mecanismos criados para supervisionar seu uso, gerenciar riscos e garantir conformidade regulatória, aponta a KPMG.
Conforme as empresas familiares avançam para modelos mais profissionalizados, atrair profissionais qualificados para posições-chave se tornou o principal desafio relacionado a pessoas, segundo o estudo.
A pesquisa destaca a necessidade de incorporar competências especializadas muitas vezes ausentes dentro do círculo familiar. Essa capacidade será decisiva para sustentar a transformação dos negócios e acelerar iniciativas de tecnologia, inovação e crescimento.
Para entender mais sobre competências essenciais para liderenças, dentro e fora dos contextos familiares, leia o artigo Conheça as principais características da liderança transformacional .
A gestão de riscos aparece como uma das áreas mais frágeis identificadas pela pesquisa. Apenas 22% das empresas familiares brasileiras afirmam ter uma estrutura abrangente de gestão de riscos corporativos, contra 33% na média global.
Ponto de atenção adicional: menos de 20% dos líderes brasileiros concordam fortemente que os papéis e responsabilidades relacionados à gestão de riscos estão claramente definidos em suas empresas.
Os frameworks internacionais, como o COSO ERM e o Modelo das Três Linhas do IIA, endereçam exatamente essa lacuna, com responsabilidades distribuídas entre gestão operacional, controle de riscos e auditoria interna.
Os resultados da KPMG desenham um modelo de empresa familiar que preserva identidade, reputação e visão de longo prazo, mas que passa a depender de gestão profissional, governança robusta, atração de talentos e uso responsável da tecnologia.
No Brasil, a adoção de IA, a profissionalização da gestão e a necessidade de estruturar riscos avançam em ritmo acelerado, uma vez que o país lidera a adoção da tecnologia entre os mercados pesquisados. A capacidade de equilibrar legado e modernização deve ser determinante para a geração de valor nos próximos anos.
Esses são exatamente os temas centrais da pós-graduação em Gestão de Médias Empresas Familiares , da FDC Pós Online. O programa reúne disciplinas como governança da empresa familiar, profissionalização do modelo de gestão, sucessão, continuidade e legitimidade geracional, e patrimônio, riscos e regulação na empresa familiar.
É uma pesquisa global da KPMG sobre empresas familiares, realizada com 1.927 líderes em 41 países. No Brasil, o estudo ouviu 122 executivos e mapeou como esse tipo de empresa está se adaptando a mudanças em gestão, tecnologia e governança.
Segundo a KPMG, a queda de 48% para 8% até 2035 reflete a migração para estruturas de gestão profissionalizadas. As famílias devem passar a atuar por meio de conselhos e mecanismos de supervisão, em vez de concentrar a operação direta do negócio.
O principal risco é o descompasso entre a velocidade da adoção e a criação de estruturas de supervisão. No Brasil, 80% das empresas familiares já implementam IA ativamente, mas 45% ainda não têm uma governança definida para o uso da tecnologia.
O estudo aponta a atração de profissionais qualificados para posições-chave como o maior desafio relacionado a pessoas, especialmente para funções que exigem competências especializadas fora do círculo familiar.
Na maioria dos casos, não. Apenas 22% afirmam ter uma estrutura abrangente de gestão de riscos corporativos, e menos de 20% dizem ter papéis e responsabilidades claramente definidos nessa área, segundo a KPMG.
A reputação familiar, os valores compartilhados e o capital paciente continuam como diferenciais competitivos relevantes. No Brasil, 90% dos líderes citam a reputação da família como vantagem, e 82% apontam o capital paciente como diferencial estratégico.
Por Mauricio Schwingel
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